A descoberta de uma gestação costuma ser um momento de muita alegria para a família, mas também é a hora de redobrar os cuidados com a saúde. É normal que surjam vários questionamentos em relação a melhor maneira de alimentar-se, a quais mudanças no corpo são normais e dúvidas sobre gravidez, em geral.

Quem é mãe de primeira viagem costuma ficar muito preocupada com suas dúvidas, mas se você pensa que quem já teve outros filhos sabe tudo, está muito enganada! Por isso, este guia serve para todas as mulheres que estão pensando em ter filhos, com suspeita de gravidez e já grávidas.

Confira o manual completo que preparei para ajudar você, que tem dúvidas sobre gravidez, desde o momento dos primeiros sintomas até o começo da vida com o seu bebê!

Como saber se estou grávida?

Um atraso na menstruação é o indício mais comum de que um bebê pode estar a caminho. No entanto, vale lembrar que muitas mulheres adultas ainda sofrem com irregularidades no ciclo, então, se esse é o seu caso, o atraso não é um bom indicativo.

Além disso, os hormônios femininos são muitos sensíveis a alterações externas; por isso, mesmo que você não esteja grávida, pode haver um pouco de atraso por motivos de estresse, mudanças na rotina, alimentação, e até mesmo o clima.

Há, porém, alguns sintomas que podem surgir antes mesmo do atraso da menstruação e que são mais conclusivos. Veja quais são!

Corrimento diferente

Um pouco de corrimento de cor esbranquiçada é normal, principalmente no final da menstruação. Já o corrimento amarelo costuma ser indicativo de que há algum desequilíbrio no corpo, como candidíase.

No entanto, aquele associado à gravidez tem um tom mais rosado, por isso, é fácil diferenciá-lo dos demais.

Alterações gástricas

Náuseas e vômitos são sintomas já bastante conhecidos em relação à gravidez. No entanto, você sabia que, além de enjoos, outro indicativo é a salivação excessiva? Isso ocorre porque o seu corpo está tendo que trabalhar em dobro para nutrir a nova vida dentro dele!

Enquanto náusea e vômito podem ocorrer por vários outros motivos, a salivação excessiva é um sintoma mais específico e merece atenção, caso ocorra.

Alterações na aparência

As alterações físicas do começo da gravidez são inchaço, cólicas e dor nos seios, além de mudanças na pele, incluindo maior oleosidade e espinhas. Similares àquelas da TPM, não é mesmo? Porém, no caso da gravidez, elas aparecem fora da hora no seu ciclo ou acabam por durar mais do que alguns poucos dias.

No entanto, há algumas sortudas que relatam ficar com a pele mais bonita e radiante, por isso, fique atenta a qualquer mudança extrema!

Variação de humor

Outro sintoma que se assemelha à TPM. No entanto, quando você está grávida, a variação de humor pode ser positiva; ou seja, você pode acabar por ficar mais feliz em vez de ficar irritada.

Isso ocorre porque, durante toda a gravidez, há uma maior liberação de ocitocina no seu corpo; esse é o hormônio responsável pelo bom humor e pelo bem-estar, e que também vai ajudar o seu cérebro a amar o seu bebê!

Cansaço e micção mais frequente

O cansaço é um sintoma associado a inúmeras condições, e pode ser algo típico do dia a dia; porém, se ele for excessivo e inexplicável, é porque o seu corpo está começando a funcionar em um ritmo diferente.

Esse novo ritmo acaba por fazer a maioria dos seus órgãos trabalhar mais, inclusive os rins; por isso, aumenta a necessidade de ir ao banheiro, mesmo que você não tenha elevado o seu consumo de líquidos.

Sensibilidade a cheiros

A sensibilidade a cheiros também ocorre por causa das mudanças nas funções corporais. Se você começa a se incomodar com um cheiro de perfume ou de um produto de limpeza de que gostava antes, e apresenta outros sintomas da lista, temos um forte indício de gravidez!

Como o olfato e o paladar são bastante conectados, você também fica mais sensível aos sabores, podendo achar enjoativos pratos que antes apreciava. Isso também contribui para as náuseas.

O que fazer com a suspeita de gravidez?

O primeiro passo é marcar uma consulta com o ginecologista, que fará todos os exames necessários para confirmar ou não a sua suspeita. Mas você também pode comprar um teste de gravidez de farmácia.

Os testes de farmácia funcionam por meio da medição de hormônios típicos do comecinho da gravidez na urina; apesar de eles serem bem precisos, é possível que haja falsos positivos ou falsos negativos devido a outros fatores, e só o médico poderá analisar o seu quadro completo para determinar se há ou não a gestação.

Ou seja, esses testes são úteis, mas não podem substituir a avaliação profissional.

O que fazer após confirmar a gravidez?

Em seres humanos, a gestação de uma nova vida dura três trimestres. Devido a diversos fatores, algumas gestações acabam por encerrar por volta dos 7 meses; são os chamados bebês prematuros.

O nascimento prematuro traz alguns riscos à saúde do bebê, principalmente porque ele ainda não está completamente desenvolvido, porém, hoje em dia, há tecnologias que permitem a sobrevivência sem sequelas com uma alta taxa de sucesso.

A maioria dos bebês prematuros fica em uma incubadora, equipamento que cria um ambiente similar ao do útero, para que possam terminar seu desenvolvimento após o nascimento.

Uma gravidez normal dura, em média, nove meses, porém, há casos em que ela acaba se aproximando mais dos dez meses; com o devido acompanhamento médico, não há nenhum problema nisso, e, na maioria dos casos, é melhor deixar o bebê ditar seu próprio ritmo.

Depois de confirmada a gestação — o que geralmente ocorre no primeiro trimestre —, a futura mamãe deve passar por uma série de exames para garantir que tanto a sua saúde quanto a saúde do seu embrião estão em perfeitas condições.

Quais as mudanças físicas em cada trimestre?

Dividir a gravidez em trimestres é a melhor forma de entender cada fase pela qual você passará, tanto física quanto psicologicamente. No primeiro trimestre, o seu corpo ainda está em fase de adaptação para prover tudo de que essa nova vida necessita. Por isso, as alterações hormonais e físicas são mais intensas e quase sempre permanecem os primeiros sintomas da gravidez, como enjoo e cansaço.

É normal também que, psicologicamente, você se sinta ansiosa e nervosa; afinal, é uma situação nova e, mesmo que ela deixe você feliz, é preciso pensar em muitas coisas: os exames médicos, o parto, as alterações na rotina durante a gravidez e após a chegada do bebê, os custos etc.

Com a chegada do segundo trimestre, os hormônios relacionados à felicidade deixarão você mais tranquila e até mais bonita! Além disso, seu corpo já estará acostumado a esse novo funcionamento, por isso, os sintomas negativos diminuem. O segundo trimestre é a fase preferida da maioria das gestantes, e também o momento em que a barriga começa a crescer visivelmente. Se você continua aflita nessa fase, é importante conversar com seu médico para sanar todas as suas dúvidas e inseguranças.

Já o terceiro trimestre é marcado pelo retorno do desconforto físico, afinal, o seu bebê já está bem grande! Com isso, volta a necessidade de fazer xixi com frequência — em geral, a expansão do seu útero acaba por pressionar a bexiga — e retornam as alterações emocionais.

Conforme se aproxima o momento do nascimento, a futura mãe fica mais preocupada em organizar tudo para a chegada do bebê, com possíveis receios sobre a hora do parto etc.

Como lidar com as mudanças emocionais?

As mudanças emocionais são completamente normais durante a gravidez, pois elas têm origem nos hormônios e nas preocupações naturais de toda futura mãe. No entanto, o ambiente em que você vive tem grande impacto no seu bem-estar psicológico.

Por isso, preparamos algumas dicas para ajudá-la a conseguir estímulos externos mais tranquilizantes. Confira:

  • converse muito com seu parceiro e com familiares próximos sobre como você está se sentindo. Para poder contar com essa compreensão, é fundamental que eles entendam exatamente o que está acontecendo com você nessa nova fase;
  • peça ajuda sempre que preciso. Muitas mães acham que é sua responsabilidade tomar conta de tudo sozinhas, mas isso não é verdade. O seu corpo está muito diferente do usual, por isso, nada mais normal que a sua rotina e a sua capacidade física também mudarem;
  • fique em repouso sempre que houver ordem médica, ou quando você sentir algum mal-estar;
  • não cobre demais de si mesma, principalmente na hora de organizar detalhes, decorar o quarto do bebê, comprar itens necessários etc. Seu filho ainda será saudável e amado mesmo que você não tenha preparado tudo com perfeição;
  • faça atividades físicas leves. Ao passo que os exercícios ajudam a manter a saúde e o bem-estar do corpo, práticas mais pesadas podem prejudicar você e o bebê. Caminhadas, por exemplo, são ideais durante a gravidez, pois ajudam na retenção de líquidos que pode ocorrer nas pernas e nos pés durante essa fase;
  • troque experiências com outras mulheres grávidas ou que já sejam mães. Lembre-se de que esse momento é vivido de maneira única para cada uma, porém dicas de outras pessoas podem ser úteis para você;
  • procure ter um hobby para se distrair do nervosismo, do desconforto e das dores. Ler, assistir a filmes e ouvir música são ações simples e que podem ser executadas a qualquer momento, mas que ajudam muito a relaxar. Apesar de não haver comprovação científica, muitas grávidas relatam que ouvir música ajuda a acalmar o bebê.

Como é o processo de pré-natal?

O pré-natal é composto de uma série de exames que visam a acompanhar de perto a evolução da gravidez, verificando a saúde da mãe e do bebê com frequência, de modo a prevenir ou diagnosticar problemas em seu estágio inicial. Para as gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde, são disponibilizadas seis consultas ao longo da gravidez; já em clínicas particulares, podem ser feitas seis ou mais consultas.

Para quem está se planejando para engravidar, o pré-natal começa desde antes da concepção, na hora de encontrar um médico de sua confiança. É ele que acompanhará você e seu futuro bebê durante toda a gestação.

A maioria dos ginecologistas também é obstetra, ou seja, esse é o profissional que fará o seu parto — caso o seu ginecologista não seja, ele indicará um obstetra para você. É importante verificar isso na hora de escolher o seu médico.

Para gestações planejadas, tanto a mãe quanto o pai devem começar a se preparar com três meses de antecedência; é a chamada “gravidez de 12 meses”. Nesse momento, eles irão juntos à consulta médica e o especialista vai tirar todas as dúvidas, ver se ambos estão com as vacinas em dia e indicar melhoras nos hábitos para favorecer a fertilidade (parar de fumar, por exemplo).

Caso a futura mãe tenha algum problema de saúde hereditário, como diabetes, pressão alta etc., é antes do início da gravidez que o médico fará as recomendações e os tratamentos para minimizar os riscos à mulher e ao bebê.

Quando o casal começa os cuidados médicos antes mesmo da concepção, acaba por se sentir muito mais seguro na hora do parto, o que traz mais tranquilidade a todos.

Para fazer um acompanhamento apropriado, as consultas médicas devem ser mensais até a 28ª semana, quinzenais até a 36ª semana, e semanais após esses períodos. Uma gravidez normal — ou seja, em que o bebê não seja considerado prematuro — dura de 37 a 42 semanas.

Quais exames fazer durante a gravidez?

Os exames de sangue completos devem ser feitos mensalmente, para verificar se há qualquer alteração. Eles permitem determinar se a mulher está com anemia e precisa de suplementos ou se há alguma infecção.

Além disso, o hemograma serve para verificar doenças graves, como toxoplasmose, rubéola, HIV, sífilis e hepatite — é fundamental fazer sempre essas sorologias, para descobrir se houve infecção e tratá-la o quanto antes. Uma condição perigosa que pode ser identificada pelo exame de sangue é a diabetes gestacional; ela ocorre quando uma mulher não diabética apresenta altos níveis de glicemia durante a gravidez.

Apesar de ser temporária, a condição aumenta os riscos de depressão pós-parto e pré-eclâmpsia, e pode causar a necessidade de realização de uma cesárea.

Ao longo da gravidez, também devem ser feitos alguns exames de urina e de fezes, e três ultrassonografias, uma por trimestre. O exame de imagem permite, no primeiro trimestre, determinar mais precisamente o tempo de gestação; no segundo, serve para identificar problemas na formação, e no terceiro, para acompanhar o crescimento nos estágios finais.

Qual médico consultar?

Como já explicado, o pré-natal deve ser feito pelo seu ginecologista, que quase sempre também será seu obstetra. Se for identificado algum problema, ou mesmo a necessidade de um acompanhamento mais específico, ele indicará outro profissional.

Além do ginecologista, se você se sentir mais segura assim, pode consultar também um endocrinologista e um nutricionista, que cuidarão, respectivamente, da parte hormonal e da criação de cardápios para uma alimentação mais equilibrada.

Esses dois acompanhamentos são bastante importantes para mulheres que estejam acima do peso ideal ou tenham um estilo de vida pouco saudável. Tenha em mente que, durante a gravidez, você não deve fazer nenhuma dieta restritiva, pois a sua necessidade energética aumenta. A orientação do nutricionista deve ser no sentido de comer com qualidade, mesmo comendo mais!

Para quem tem convênio médico, é preciso avaliar cuidadosamente quais são as coberturas do seu plano; se você deseja um pré-natal o mais completo possível, o ideal é alterar para uma cobertura maior antes da gravidez, ou complementar as consultas e exames em uma clínica particular.

Como escolher entre parto normal ou cesárea?

Em primeiro lugar, você deve manter em mente que não há certo ou errado na hora de escolher o seu tipo de parto, mas, sim, o que atende melhor às necessidades do seu bebê e às suas expectativas. Por exemplo, é normal que muitas mulheres tenham medo das dores do parto e prefiram realizar uma cesárea, que ocorre com anestesia geral. Porém, a recuperação acaba sendo muito mais lenta e dolorosa.

Já o parto normal é mais demorado e doloroso, porém tem recuperação rápida e não deixa cicatrizes. Além disso, ele respeita o ritmo do seu bebê, já que a maioria das cesáreas é agendada antecipadamente.

Ultimamente, tem crescido o número de partos naturais na água, que são considerados mais tranquilos e menos dolorosos. Em geral, eles são feitos pelo obstetra, porém a mulher é acompanhada por uma doula. A doula é uma mulher que não tem formação técnica na área da saúde, mas especializa-se em acompanhar a mulher na hora do parto, fornecendo apoio emocional. Embora as doulas possam estar presentes em qualquer tipo de parto, são mais comuns nos chamados water births.

O ideal é conversar com o seu médico e estar aberta a ambas as possibilidades. Além disso, procure ouvir as experiências de outras mães e tirar suas próprias conclusões; lembre-se de que a escolha é sua e você tem que decidir o que a deixa mais confortável.

Como são os primeiros dias após o nascimento?

O momento do nascimento do bebê é marcado por muita alegria para toda a família, porém também é preciso lembrar que essa é a fase em que a mãe está se recuperando do parto e requer cuidados especiais.

Em geral, a mulher fica dois a três dias no hospital após o parto, assim como o bebê, que passará por seus primeiros exames e cuidados médicos. Nesse período de repouso, o corpo começa a voltar a seu estado natural, e são comuns dores e coceiras — principalmente se houver pontos.

No puerpério (período de 45 dias após o parto), é muito importante atentar às alterações psicológicas. Enquanto muitas mulheres passam por esse período de forma mais tranquila devido aos hormônios liberados, em muitos casos, há desequilíbrios hormonais que levam à depressão pós-parto.

A depressão pós-parto deve ser encarada como uma doença séria e acompanhada por um especialista em saúde mental. Isso porque a mulher não intencionalmente acaba por rejeitar seu bebê e sentir-se extremamente infeliz. É importante que a paciente possa passar por essa fase sem julgamentos e contando com o apoio da família, para que haja uma recuperação mais rápida.

Mesmo quando não há nenhuma complicação, há vários cuidados que devem ser tomados. Por exemplo, na hora de amamentar, pode acontecer de, nos primeiros dias, não “descer o leite”. Para garantir que o bebê possa ser alimentado, é fundamental se preparar para isso de antemão, comprando fórmula específica para recém-nascidos. Novamente, é importante contar com apoio e compreensão das pessoas próximas, pois o corpo de cada mulher tem seu próprio ritmo.

Em geral, a maioria das mães consegue amamentar após alguns dias, mas, caso não seja possível, tenha em mente que existem alternativas; não somente, hoje em dia, as fórmulas de leite em pó são bastante completas, mas há também a opção de utilizar bancos de leite, ou seja, fazer o aleitamento materno com leite doado por outra pessoa.

Eles são mais comuns do que você imagina; no Brasil, temos a maior rede de doação de leite materno do mundo! Qualquer mãe que esteja com leite sobrando pode ser uma doadora.

Nos primeiros dez dias após o parto, ocorre o lóquio, uma secreção vaginal com sangue, em que são eliminados todos os resíduos finais da sua gravidez. Também é normal que, até três meses após o parto, a mulher sofra com uma leve incontinência urinária, que para de acontecer com o tempo.

Você também deve atentar para manter uma higiene íntima impecável para prevenir infecções, pois estará mais propensa a elas durante o puerpério. Lembre-se de usar um hidratante específico nos mamilos para prevenir feridas e rachaduras, pois essa é uma das áreas mais sensíveis do corpo, e a dor pode impedi-la de amamentar!

Tenha sempre em mente que cada mulher experimenta a gravidez e a maternidade à sua própria maneira. Conselhos de mães mais experientes são bem-vindos, mas não podem ser uma imposição!

Escolha bem o seu médico e tenha uma relação de companheirismo com seu parceiro, afinal, você está carregando, em seu corpo, um bem muito precioso para ele e merece receber todos os cuidados de que necessita.

É normal ter muitas dúvidas sobre gravidez, mas não deixe que elas impeçam você de aproveitar esse momento que, apesar de marcado por vários desconfortos físicos, é mágico e único! Para dispor de maiores informações a respeito dos cuidados com essa fase especial, entre em contato!