A descoberta da gravidez é um momento de muita felicidade e expectativas, mas também de ansiedade, receio e dúvidas, principalmente para quem será mãe de primeira viagem. Pois saiba que esse turbilhão de sentimentos e emoções é absolutamente normal e você não está sozinha nessa jornada cheia de desafios, mudanças e aprendizados!

Buscar informações sobre maternidade durante a espera pela chegada do bebê é muito importante, tanto para que você adquira conhecimentos, quanto para que fique mais calma na hora de lidar com situações comuns no dia a dia de quem tem filhos.

Pensando nisso, preparei um guia com tudo o que você precisa saber sobre alimentação, saúde, bem-estar e cuidados com o bebê. Confira a seguir!

1. Os primeiros dias do bebê

Uma coisa é certa! Nos primeiros dias de vida, seu filho vai chorar, mamar, dormir e, de vez em quando, sorrir ou fazer caretas de derreter qualquer coração. Essa costuma ser a rotina de uma criança quando sai da maternidade e começa a interagir com um mundo completamente diferente do que estava acostumado.

Ao nascer, todos os sentidos do bebê estão desenvolvidos, principalmente o tato. Com o passar do tempo, eles são aprimorados e sofrem diversas transformações.

Com apenas três dias, o recém-nascido consegue distinguir a fala daqueles que já ouviu antes, como é o caso da mãe. Os movimentos do bebê são predominantemente causados por reflexos primitivos até o segundo mês de vida.

Na primeira semana, é normal que o bebê perca até 10% do seu peso corporal, pois há grande uso das reservas calóricas, menor ingestão de leite e eliminação de água e fezes acumuladas durante a gestação. A criança começa a ganhar peso progressivamente a partir da segunda semana — em média, 30 gramas por dia.

Os primeiros dias geralmente são os mais difíceis para os pais, pois se trata de um período de reconhecimento, adaptação da rotina e, muitas vezes, enfrentamento de adversidades e imprevistos.

Nesse processo, é preciso estar bem preparado para oferecer os cuidados que o bebê precisa enquanto ainda é bastante dependente e não sabe se comunicar.

Visitas ao recém-nascido

A chegada de um bebê é sempre um grande acontecimento, que mobiliza amigos e familiares. Apesar da vontade de receber todos para compartilhar esse momento especial, as visitas devem ser restritas no primeiro mês. Isso porque a saúde do pequeno ainda é muito frágil, o que aumenta os riscos de contaminação por vírus e bactérias trazidos de fora.

Alguns dias depois do parto, é importante que o recém-nascido fique em um lugar tranquilo e silencioso para que se acostume com o ambiente a sua volta, que é bem diferente do útero materno. E não é só isso! Você também precisa de um tempo para se recuperar e se adaptar à nova rotina.

Caso receba visita no hospital ou em casa, verifique se a pessoa está com a saúde em dia, peça para que higienize bem as mãos antes de tocar no bebê e oriente-a a não beijar o pequeno, pois sua imunidade ainda está baixa. A duração da visita deve ser curta, no máximo, 45 minutos.

Passeios na rua

Assim como as visitas, os passeios na rua somente são recomendados depois do primeiro mês, pois há o risco de o bebê entrar em contato com muitas pessoas desconhecidas, inalar fumaças ou outros odores fortes, e ainda, ficar estressado por conta de vários estímulos de locais movimentados e barulhentos.

Nos primeiros dias, as saídas de casa devem ser feitas somente para ir à consulta com o pediatra ou em casos de deslocamento para locais próximos, como a casa de familiares. Se for andar de carro, lembre-se sempre de prender o bebê conforto no banco traseiro para garantir a segurança do seu filho.

Por volta dos dois meses, o bebê já terá tomado as principais vacinas e criado anticorpos suficientes para fazer passeios ao ar livre com mais frequência. Ainda assim, evite levá-lo a locais muito cheios, como shoppings, supermercados e transportes públicos.

Choro

Uma das grandes preocupações das mães de primeira viagem nos primeiros dias é com o choro do bebê. Por mais que seja normal e, de certa forma, esperado, ver um filho aos prantos pode assustar e causar estresse, pois nem sempre é possível saber de imediato o que o bebê necessita.

Mas não se preocupe! Em pouco tempo, ficará cada vez mais fácil diferenciar o alerta de fome, sede, calor, medo, sono, cólica, fralda suja e desconforto. Caso o choro seja excessivo, persistente ou fora do normal, recomenda-se entrar em contato com o pediatra para receber orientações.

2. Amamentação

O leite materno é conhecido por ser um alimento completo e com alto grau nutritivo, pois é composto por vitaminas, minerais, proteínas, carboidratos e gorduras essenciais para o desenvolvimento do bebê.

A amamentação traz diversos benefícios para o recém-nascido, já que fortalece seu sistema imunológico. Os bebês alimentados com leite materno apresentam menos riscos de desenvolver doença inflamatória intestinal, asma, diarreia, artrite reumatoide, obesidade, diabetes, anemia e infecções respiratórias, de ouvido e do trato urinário.

O ideal é que a amamentação comece logo após o nascimento e seja mantida de forma exclusiva até, pelo menos, os seis meses. Após esse período, o aleitamento materno deve ser complementado com a introdução de alimentos sólidos, como papinhas, frutas, legumes e purês.

As mulheres que amamentam também são beneficiadas, pois têm menos chances de desenvolver câncer de mama, anemia, osteoporose, problemas cardiovasculares e diabetes. Além disso, recuperam-se mais rapidamente do parto, estão mais propensas a retornar ao peso que tinham antes da gestação e sentem-se mais confiantes e realizadas.

Arroto e cólica

O arroto é um mecanismo que o corpo tem para liberar o ar engolido durante o choro, a mamada ou o uso da chupeta. Apesar de ser um processo natural, o recém-nascido muitas vezes precisa de ajuda para arrotar, pois não consegue expulsar o ar sozinho e o acúmulo pode causar gases, resultando em desconforto e cólica.

Segure-o na posição vertical, próximo ao ombro, e massageie levemente suas costas. Pode ser que o pequeno regurgite ao arrotar, por isso, é preciso ter atenção aos sinais de engasgamento e nunca deite o bebê logo após a amamentação. Caso seu filho não expulse o ar depois da mamada, deixe-o sentado no seu colo durante uns 15 minutos, sem insistir caso não arrote.

A cólica também pode surgir devido ao mau funcionamento do sistema digestório do bebê ou à alimentação inadequada da mãe. Essas dores abdominais diminuem com o tempo, desaparecendo por volta dos três meses.

Dificuldades no aleitamento

Nem sempre a experiência da amamentação é tão fácil assim. Muitas mulheres relatam dificuldades em amamentar, seja por problemas de saúde e pouca produção de leite, seja por dores nos seios causadas por “pega” incorreta do bebê, bico com rachaduras, leite empedrado ou mastite — inflamação mamária acompanhada ou não de infecção.

Em alguns casos, a baixa produção de leite materno está ligada ao cansaço, à ansiedade ou ao estresse. Por isso, mesmo que você esteja passando por períodos difíceis ou conturbados, é importante continuar amamentando para estimular as glândulas mamárias.

Quando há sensibilidade nas mamas, a dica é encontrar uma posição confortável, utilizando poltronas de amamentação e almofadas, para que o bebê consiga pegar toda a auréola e não apenas o bico do seio.

Fazer uma massagem no seio enquanto o bebê estiver mamando, seguida de uma compressa de água fria, pode amenizar o problema de leite empedrado, pois a temperatura baixa dilata os vasos, facilitando a circulação do líquido pelos dutos mamários.

Vínculo emocional

Além de físico, o ato de alimentar é emocional. O contato próximo no momento da amamentação cria um vínculo de afeto e carinho entre a mãe e o bebê. Mesmo que o leite seja dado com mamadeira, segure o pequeno no colo, junto ao corpo, para que ele se acostume com a presença das pessoas ao redor e crie uma conexão com você.

3. Saúde do bebê

Durante o período neonatal, deve-se ficar bastante atento ao comportamento e ao desenvolvimento físico e cognitivo do bebê, para relatar ao médico qualquer anormalidade observada. Apesar de muitas doenças serem inofensivas ou passageiras, o recém-nascido precisa ser examinado periodicamente.

Ainda na maternidade, seu filho passará por uma série de exames para verificar o estado de saúde e detectar eventuais doenças sem sintomas, como o teste do pezinho, do olhinho, do coraçãozinho, da linguinha e da orelhinha. Cada um desses procedimentos tem um objetivo específico e auxilia no diagnóstico e tratamento precoces.

Exames neonatais

O mais conhecido é o teste do pezinho, que consiste na coleta de uma pequena amostra de sangue do pé do bebê para detectar problemas de saúde como hipotireoidismo — produção insuficiente de hormônios da tireoide —, fenilcetonúria — doença genética que prejudica a digestão de alimentos ricos em fenilalanina, como carnes, leite e ovos —, hemoglobinopatias — conjunto de doenças provocadas por alterações nos glóbulos vermelhos — e fibrose cística — doença hereditária que afeta principalmente o sistema respiratório.

A pesquisa do reflexo vermelho, ou teste do olhinho, é obrigatória e ajuda na identificação de problemas oculares que podem levar à cegueira infantil, como glaucoma, catarata ou tumores intraoculares. Rápido e indolor, o exame é feito com uma caneta oftalmológica, que é direcionada para o olho do bebê, lançando uma luz. Caso o médico observe um reflexo vermelho, significa que não há alterações prejudiciais no olho do bebê.

Popularmente conhecida como teste do coraçãozinho, a oximetria de pulso caracteriza-se pela medição da taxa de oxigênio no sangue e dos batimentos cardíacos com o uso de um aparelho chamado oxímetro, visando o diagnóstico precoce da cardiopatia congênita crítica, uma doença grave do coração.

Outro exame indispensável é o teste da linguinha, que busca detectar alterações no frênulo, comumente chamado de freio da língua. Essa membrana que liga a parte inferior da boca à língua pode ser menor do que o normal, fazendo com que a criança tenha restrições de movimentação e fique com a “língua presa”.

Se o diagnóstico for positivo, o médico irá avaliar o grau do problema, podendo indicar ou não a correção por meio de um pequeno corte no local.

A audiometria neonatal, chamada também de teste da orelhinha ou triagem auditiva, é um exame rápido e indolor feito para avaliar a audição do bebê e diagnosticar possíveis perdas auditivas.

Com o uso de um aparelho audiométrico, o médico observa as respostas do recém-nascido aos estímulos sonoros emitidos durante três a cinco minutos por um pequeno fone de ouvido colocado na parte externa da orelha.

Doenças comuns

Algumas enfermidades aparecem com frequência em recém-nascidos, como a icterícia, que afeta cerca de 60% dos bebês e tem como principal sintoma a coloração amarelada da pele e dos olhos devido ao nível elevado no sangue de um pigmento chamado bilirrubina.

Em geral, esse problema desaparece sem tratamento específico, mas há casos em que o bebê precisa receber banhos de luz para conseguir eliminar a substância do organismo.

Outra doença comum nessa fase é a conjuntivite, que causa vermelhidão e edemas nas pálpebras e o aparecimento de uma secreção amarelada no canto interno dos olhos.

Esse problema pode se desenvolver por causa da obstrução do canal lacrimal, de um processo alérgico ou de infecção por bactéria ou vírus. A utilização de soro fisiológico ajuda a limpar a área, acelerando a melhora.

Consultas com o pediatra

A primeira consulta com o pediatra deve ser feita cerca de uma semana após o parto, pois é necessário que o bebê passe por um exame clínico completo.

Nessa visita inicial, o médico avaliará o quadro geral do pequeno, verificando seu peso, altura, funções fisiológicas, alimentação, batimentos cardíacos, pulmões, tônus muscular, entre outros aspectos relevantes do desenvolvimento.

Além disso, a ida ao pediatra serve para que os pais tirem suas dúvidas e recebam orientações sobre vários assuntos, como aleitamento materno, calendário de vacinação, cuidados básicos e suplementação alimentar.

O acompanhamento de rotina deve ser mensal durante o período de um ano, salvo para o bebê com necessidades especiais ou diagnosticado com alguma doença.

4. Qualidade do sono

Todos sabem que os bebês sentem muito sono. Muito mesmo! Para ter uma ideia, um recém-nascido chega a dormir em torno de 16 a 19 horas por dia, acordando só para satisfazer suas necessidades básicas.

Mas nem sempre as sonecas duram a noite toda e é bem possível que você acorde de madrugada com o choro do seu filho.

Problemas para dormir

O que pouca gente sabe é que o bebê precisa aprender a dormir sozinho. Alguns recém-nascidos utilizam recursos para pegar no sono, como chupar o dedo ou segurar um paninho, mas a grande maioria tem dificuldade de adormecer rapidamente ao ser colocado no berço ou na cama e precisa da presença dos pais.

Por mais que sejam eficientes, estratégias como colocar o bebê no carro para dar uma volta ou balançá-lo no colo até que adormeça podem criar hábitos difíceis de serem mudados no futuro.

Por isso, o ideal é fazer com que o quarto do pequeno seja o mais aconchegante possível, com o uso de iluminação baixa, colchão macio e redistribuição dos móveis.

Fazer uma massagem, cantar uma música de ninar, ler uma história ou dar um banho antes de colocar seu filho para dormir também são um auxílio no processo de relaxamento necessário para que o sono venha com mais facilidade.

Seguir um ritual diário nem sempre é fácil, mas o esforço e a dedicação valerão a pena quando você se deparar com um rostinho feliz e tranquilo na manhã seguinte de uma noite bem dormida.

Para garantir a qualidade do sono de toda a família, é essencial estabelecer uma rotina com horários bem definidos, que priorize o ritmo e o bem-estar do bebê.

Porém, essa regularidade somente será bem-sucedida a partir do quinto mês, quando o pequeno dorme 12 horas diárias e começa a produzir a melatonina, um hormônio que regula o metabolismo ao longo do dia, induzindo ao sono.

5. Cuidados básicos

Quem é mãe de primeira viagem sabe que a chegada de um filho demanda muita dedicação e aprendizado, pois realizar atividades que parecem simples aos olhos de pais experientes pode se transformar em um bicho de sete cabeças no dia a dia, ainda mais se não há ninguém por perto para ajudar.

Mas não se preocupe! Seguindo com a leitura deste post, você encontrará dicas simples para dominar as técnicas e os macetes dos cuidados básicos.

Troca de fraldas

A troca de fraldas do bebê deve ser feita várias vezes ao dia, pois o acúmulo de urina e fezes pode causar irritação na pele, assaduras ou infecções. A recomendação é que a fralda seja verificada antes de cada amamentação. Sempre que houver fezes, urina ou ambos é preciso fazer a troca.

Após a retirada da fralda, é necessário higienizar bem a área com um algodão embebido em água morna ou com um lenço umedecido, dando atenção especial às dobras da pele. Em seguida, você pode aplicar uma pomada de barreira para prevenir assaduras.

Ao colocar seu filho para dormir, utilize fraldas noturnas com alto poder de absorção e uma camada generosa de creme de assaduras para que ele tenha um sono mais tranquilo e não acorde no meio da noite pelo desconforto causado por uma irritação de pele.

Banho

O banho deve ser preparado com água morna, em torno de 36ºC, chegando a uma altura que cubra o bebê até o ombro. Verifique se a temperatura do banheiro também está agradável, sem correntes de ar, que possam deixar o pequeno com frio e mais vulnerável às doenças, como gripes e resfriados.

Dê preferência para xampus, sabonetes, condicionadores e cremes neutros e hipoalergênicos, pois isso evita irritações e alergias na pele sensível do bebê. Nunca deixe seu filho sozinho durante o banho, nem que seja por alguns segundos.

Depois de retirar os resíduos de produto, seque bem todas as partes do corpo do pequeno com uma toalha macia, principalmente os cabelos. Deixe a roupa do bebê em outro cômodo para que não fique úmida. A hora do banho também pode ser aproveitada para o corte das unhas e a limpeza dos olhos, orelhas e nariz.

Coto umbilical

A limpeza do coto umbilical é um cuidado simples e, ao mesmo tempo, essencial para a manutenção da saúde do bebê. A higienização dessa área próxima ao umbigo deve ser feita três vezes ao dia para diminuir os riscos de infecções e tétano neonatal.

Basta passar uma haste flexível em movimentos circulares para retirar os resíduos úmidos que se acumulam na base do cordão. Esse processo pode ser feito depois do banho ou na troca de fraldas.

O coto umbilical costuma secar e cair em até duas semanas após o nascimento, mas pode demorar um pouco mais em alguns bebês.

6. O que mais uma mãe de primeira viagem precisa saber?

Quando o bebê nasce, existe uma parte molinha atrás de sua cabeça, que é composta por duas fontanelas — aberturas no osso do crânio separadas por suturas. Essas áreas têm como função facilitar o parto e permitir o crescimento e o desenvolvimento do cérebro.

As moleiras, como são popularmente chamadas, vão diminuindo até fechar entre o segundo e o décimo oitavo mês, devido ao processo de consolidação óssea que ocorre na infância. Por serem partes muito sensíveis, é preciso evitar tocá-las ou utilizar acessórios de cabeça que possam pressioná-las.

Outra questão relevante é a sensibilidade do bebê às variações de temperatura. Por ter menos gordura corporal, o recém-nascido normalmente sente mais frio. Mas isso não significa que o ideal é vestir o pequeno com seis camadas de roupas. No inverno, um casaco a mais já é o suficiente.

Lembra-se do choro que falei lá em cima? Também pode ser um sinal de que seu filho está com frio ou calor. Mesmo sem termômetro, você pode verificar a temperatura do bebê tocando em sua cabeça, barriga, peito ou costas.

Vale ressaltar que o acompanhamento médico é extremamente importante para a manutenção da saúde e do bem-estar do bebê. Por isso, procure sempre o pediatra quando estiver com dúvidas ou precisando de uma orientação sobre sintomas e tratamentos.

Pode ter certeza de que com essas dicas você estará ainda mais preparada para ser mãe de primeira viagem! Se quiser acompanhar os nossos posts, siga a página no Facebook!